A Família Sabino: Corredoras de Fé e Resistência.

A Família Sabino: Corredoras de Fé e Resistência. Eu faço questão de contar essa história porque ela representa muito mais do que vitórias esportivas. Ela representa resistência, dignidade, fé e superação. Falo da família Sabino, de Mato Grosso — mulheres negras, pobres, mas gigantes em coragem e determinação. Desde os anos 1980, essas mulheres começaram a escrever seus nomes na história do atletismo brasileiro, especialmente nas corridas de rua. Elas romperam barreiras que não eram apenas físicas, mas sociais, econômicas e raciais. Em um tempo em que o esporte era privilégio de poucos, elas correram com o que tinham: coragem, sonho e esperança. Falo, por exemplo, de Jorilda Sabino, conhecida como a Cinderela Descalça. Uma mulher que começou a competir sem sequer ter um tênis adequado, mas que tinha algo que ninguém podia tirar: vontade de vencer. Ela venceu a Corrida de Reis quatro vezes consecutivas, entre 1985 e 1988, sendo uma das primeiras grandes campeãs dessa prova que hoje chega à sua 41ª edição. Também brilhou na São Silvestre, uma das maiores corridas do país. Falo também de Nadir Sabino, que se tornou a maior campeã feminina da Corrida de Reis, com cinco títulos. Uma mulher que marcou o esporte mato-grossense e mostrou que o talento das mulheres negras precisa ser reconhecido, valorizado e registrado na história. E falo ainda de Margarida Sabino, que também fez da corrida um caminho de afirmação, de resistência e de vitória. Uma trajetória construída com sacrifício, apoio familiar e muito amor pelo esporte. Quando eu falo da família Sabino, eu não falo apenas de medalhas. Eu falo de mulheres que correram contra a fome, contra o preconceito, contra a invisibilidade. Mulheres que transformaram a rua em palco, o asfalto em território de luta e o próprio corpo em instrumento de libertação. Essas mulheres ajudaram a construir a história da Corrida de Reis, uma das maiores provas de rua do Brasil. Elas abriram caminhos para outras meninas, para outras mulheres, para outras famílias que hoje acreditam que é possível sonhar. A história da família Sabino é a prova viva de que mulher negra não nasce para ser invisível. Nasce para vencer, para inspirar e para transformar realidades. E eu faço questão de contar essa história, porque enquanto a gente contar, elas nunca serão esquecidas. Veja também: Pensamento Feminista Negro “A Filha das Matas…” – Filha das Flores. Quem foi a Ruth Marques Corrêa da Costa?? Mulheres que mudaram a HISTÓRIA de Mato Grosso Mulheres quilombolas Matogrossenses Afinal, quem foi Teresa de Benguela?
Viva!!! Cuiabá esta fazendo 306 anos…

Viva!!! 306 anos de Cuiabá, capital de Mato Grosso, é uma cidade que pulsa com histórias, vivências e memórias construídas por cuiabanos ao longo dos anos. A fundação de Cuiabá, em 8 de abril de 1719, se deu no contexto de um Brasil colonizado e marcado pela desigualdade de gênero, as mulheres da época, muitas vezes invisibilizadas nas narrativas históricas, desempenharam papéis fundamentais na construção das primeiras famílias, por isso um dia tão significativo, como o seu aniversário, É essencial destacar a contribuição feminina para a formação e o crescimento desta cidade, que celebra suas origens e sua identidade, nas relações de troca e na manutenção da cultura e dos costumes locais. Se, por um lado, o foco estava na exploração e nos grandes nomes da história, por outro as mulheres sempre estiveram presentes, sejam elas nas rodas de conversa nas praças ou nas tarefas que mantinham a cidade em funcionamento. Ao longo do tempo, mulheres cuiabanas começaram a ganhar protagonismo de diferentes formas: Na política, na arte, na cultura e no empreendedorismo, as cuiabanas ajudaram a moldar uma cidade que sempre se reinventou. Nos últimos anos, a luta por mais direitos e igualdade de oportunidades tem sido constante. Mulheres como artistas, cientistas, educadoras, ativistas e empresárias têm sido fundamentais para que Cuiabá seja uma cidade mais inclusiva e plural. Segundo ℂ.𝔼 é importante refletir, hoje no aniversário de Cuiabá, sobre os desafios que ainda existem para que as mulheres da cidade ocupem, de forma plena, todos os espaços possíveis. Desafios como o enfrentamento da violência de gênero, o acesso à educação e ao mercado de trabalho, e a construção de políticas públicas que atendam as necessidades das mulheres com sensibilidade e urgência. O olhar feminino sobre a cidade é diverso e múltiplo. Mulheres negras, indígenas, rurais e urbanas carregam diferentes perspectivas sobre o que significa viver em Cuiabá. Para algumas, é um lugar de acolhimento e afeto, onde a culinária, a música e a cultura local representam um elo com suas raízes. Para outras, é um espaço onde os desafios econômicos e sociais ainda são grandes obstáculos a serem superados. Independentemente das experiências, é fundamental que cada vez mais as vozes das mulheres sejam ouvidas e suas histórias, reconhecidas. Neste aniversário de Cuiabá, a cidade não pode apenas celebrar sua fundação, mas também deve celebrar as mulheres que ao longo dos séculos ajudaram a transformar este lugar em um lar para tantos. O futuro de Cuiabá será sem dúvida mais próspero e inclusivo quanto mais as mulheres forem respeitadas, valorizadas e empoderadas, em toda a sua diversidade Assim, no aniversário de Cuiabá, é essencial que se reflita sobre o papel das mulheres na construção dessa cidade que se reinventa constantemente, mas que precisa, cada vez mais, de um olhar atento e comprometido com a igualdade de gênero, para que as cuiabanas, de ontem e de hoje, possam viver e celebrar a cidade com liberdade e dignidade. Veja também: